quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Pátina - A reluzente clareza das coisas antigas.

Segundo alguns dicionários, Pátina é um composto químico que se forma na superfície de um metal. Ela se forma naturalmente, pela exposição aos elementos e ao clima, ou artificialmente, com a adição de produtos químicos por artistas ou metalúrgicos.

A pátina se restringe às superfícies expostas e pode se soltar ou não da superfície, dependendo das propriedades dos materiais. Um dos motivos do alto apreço ao bronze, na confecção de esculturas, é que sua pátina não se solta, servindo como camada protetora. O mesmo se dá com o uso de alumínio em esquadrias para construção civil. Um bom exemplo de pátina é a superfície esverdeada chamada de vert-de-gris que se forma na oxidação do cobre, ou no bronze, pela ação de nitratos e acetona. O exemplo contrário é o do ferro comum, que em contato com o clima forma um óxido (ferrugem) que se solta, expondo novamente o metal à corrosão.

No jargão dos antiquários e comerciantes de arte, pátina também se refere à tudo que acontece com o objeto, como um risco no tampo de uma mesa, o craqueado numa cerâmica, a perda de umidade numa pintura. Todos esses efeitos do tempo se juntam à intenção do artesão para criar uma verdadeira antiguidade, para muitos, verdadeiras obras de arte cheia de personalidade.

Nós já usamos outras propriedades emprestadas em outras ciências para tentar explicar o que se passa com a nossa psiquê em determinados momentos, exemplo é a resiliência, propriedade emprestada da Física que grosseiramente poderiamos definir com um verso de samba: "reconhece a queda e não desânima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".. Longe de mim querer objetivar "positivamente" o que, por si só, é demasiado subjetivo - o Humano em cada um de nós.

A nossa sociedade está aí, posta. Entretanto nós estamos à envelhecer, e de que forma!?!
À parte o Botóx, Ivos (Pitanguy) e outras "muderni.dads" (paternidade aos 60 anos, e viva o Viagra!!!) , o que presinto mais e mais é uma precarização dos valores pátinos da nossa vã experiência. Ninguém mais aprende, ou melhora, com os erros. A contemporaneidade nos vetou o erro, temos que ser perfeitos o tempo todo, tal qual a "Bailarina" do Chico. Tolhidos daquilo que nos torna únicos, onde foi parar os conselhos da vavó, no twitter? As nossas velhas calígrafias, em papel milimetrado e tudo, agora são substituidas por neologismos "ême.esi.nêscos" que fariam qualquer "Carlinhos" (Brown) morrer de inveja... ("Qnd q vc vai lodear o new avatar, e pq ñ now?")

Mas como nem tudo é barranco nesse "Ribanceira Project", éis que surge luz no fim do tunel (e não é a do trem) para as "faltas" que democráticamente precarizam a estrutura criativa de "quase" todo mundo - e porque das aspas no quase, simples, só se pode ajudar quem procura ser ajudado, e tem gente que se esforça pra reproduzir mais do mesmo que é uma festa.!!! Estou me referindo aos bons ventos sonoros do Efeito Bogary, DVD do Cascadura que mostra bem como é que se faz, bem feito, um album de Rock nas terras do pós-axé. Recomendo mesmo sem ver (né não Braspress!!!).

Todos os sons da banda, que é "patinada" faz 18 anos, estão disponíveis para serem baixados na página oficial do grupo (http://www.bandacascadura.com/musica), e quem quiser ouvi-los ao vivo e em cores uma boa oportunidade será no lançamento do DVD em pleno Pelourinho no próximo domingo (20/12/2009). No mais é isso, muito som e como diria o Fábio (Cascadura): "..e viva a putaria!!!"

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