terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Queremos o Brasil de volta

Esta critica foi escrita em 28 de dezembro de 2009, pelo jornalista Felipe Machado, para a seção Palavra de Homem (do jornal Estado de São paulo) às 11:44:23. E eu não tiro uma vírgula.

"Antes que você me ache maluco, eu digo que sim, eu sei que o Natal foi sexta-feira passada. Mas o que estou pedindo aqui não cabe no saco de nenhum velhinho barbudo. Para falar a verdade, não sou Papai Noel, mas eu é que estou de saco cheio das coisas que acontecem no Brasil.

Não, eu também não tenho a intenção de estragar seu réveillon. Nessa época costumo escrever sobre aquelas resoluções de fim de ano que a gente quase nunca consegue cumprir, como dedicar mais tempo à família ou ter uma vida mais saudável. Hoje, não. Se pudesse pedir um presente de fim de ano, eu queria o Brasil de volta.

Como assim? Alguém roubou o Brasil e ninguém ficou sabendo? Exatamente. 2010 é importante para todos nós, e não estou falando da torcida pela Seleção Brasileira na África. Copa do Mundo é a época em que os brasileiros adoram mostrar seu patriotismo. Estamos errados, veja só. A gente deveria mostrar que ama e se preocupa com o País no dia 3 de outubro.

O ano que começa daqui a alguns dias será marcado pela eleição para vários cargos, de presidente a deputados, em todo o País. Quero que os corruptos que tomaram os governos de todo o Brasil devolvam o País para as pessoas que trabalham, que pagam os impostos em dia, que lutam para ganhar um dinheiro honesto para sustentar suas famílias. Não dá para a gente continuar assistindo a essa gente debochada rindo da nossa cara, como se no Ordem e Progresso da bandeira estivesse escondido o complemento Ordem e Progresso – desde que esse progresso seja superfaturado e minha empresa toque a obra.

Esta é a última coluna do ano. Lutei para manter o bom humor mesmo vendo alguns escondendo dinheiro sujo na cueca e outros dizendo que fortunas não declaradas eram, na verdade, para comprar panetones para os pobres. Que caras legais, não? Dá orgulho de ser brasileiro e ver essa gente no poder, escolhidos ... por nós mesmos. Tivemos de aguentar até gente agradecendo a Deus na belíssima Oração da Corrupção. É demais.

Esse desabafo serve para a gente entrar em 2010 com o coração limpo, pensar bem em quem vai votar e tirar do poder quem está levando o Brasil para casa. O Brasil não é deles, por mais que pareça.

Um amigo brincou que em vez de Feliz Dois Mil e Dez a gente deveria dizer Feliz Dois Mil e Dez Por Cento. Eu não concordo. Eu não aceito. Esse papo de 'sou brasileiro, não desisto nunca' é uma besteira fatalista. Sou brasileiro, ponto final. Não preciso desistir de nada, não preciso nem pensar em desistência. Eu tenho um País maravilhoso. Só quero que ele seja um lugar melhor para mim e para a minha família. Espero que isso seja possível em 2010. Só depende da gente."


Para ouvir, bem alto, e refletir sobre o texto, aproveite e leve outra boa sugestão do autor: Alice in Chains, uma boa pedida é Your Decision (faixa 4, pra muitos a melhor do disco) pra você decidir se vai fazer alguma coisa pra esse país ir pra frente ou compartilhará da "Desordem e Regresso"!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Pátina - A reluzente clareza das coisas antigas.

Segundo alguns dicionários, Pátina é um composto químico que se forma na superfície de um metal. Ela se forma naturalmente, pela exposição aos elementos e ao clima, ou artificialmente, com a adição de produtos químicos por artistas ou metalúrgicos.

A pátina se restringe às superfícies expostas e pode se soltar ou não da superfície, dependendo das propriedades dos materiais. Um dos motivos do alto apreço ao bronze, na confecção de esculturas, é que sua pátina não se solta, servindo como camada protetora. O mesmo se dá com o uso de alumínio em esquadrias para construção civil. Um bom exemplo de pátina é a superfície esverdeada chamada de vert-de-gris que se forma na oxidação do cobre, ou no bronze, pela ação de nitratos e acetona. O exemplo contrário é o do ferro comum, que em contato com o clima forma um óxido (ferrugem) que se solta, expondo novamente o metal à corrosão.

No jargão dos antiquários e comerciantes de arte, pátina também se refere à tudo que acontece com o objeto, como um risco no tampo de uma mesa, o craqueado numa cerâmica, a perda de umidade numa pintura. Todos esses efeitos do tempo se juntam à intenção do artesão para criar uma verdadeira antiguidade, para muitos, verdadeiras obras de arte cheia de personalidade.

Nós já usamos outras propriedades emprestadas em outras ciências para tentar explicar o que se passa com a nossa psiquê em determinados momentos, exemplo é a resiliência, propriedade emprestada da Física que grosseiramente poderiamos definir com um verso de samba: "reconhece a queda e não desânima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".. Longe de mim querer objetivar "positivamente" o que, por si só, é demasiado subjetivo - o Humano em cada um de nós.

A nossa sociedade está aí, posta. Entretanto nós estamos à envelhecer, e de que forma!?!
À parte o Botóx, Ivos (Pitanguy) e outras "muderni.dads" (paternidade aos 60 anos, e viva o Viagra!!!) , o que presinto mais e mais é uma precarização dos valores pátinos da nossa vã experiência. Ninguém mais aprende, ou melhora, com os erros. A contemporaneidade nos vetou o erro, temos que ser perfeitos o tempo todo, tal qual a "Bailarina" do Chico. Tolhidos daquilo que nos torna únicos, onde foi parar os conselhos da vavó, no twitter? As nossas velhas calígrafias, em papel milimetrado e tudo, agora são substituidas por neologismos "ême.esi.nêscos" que fariam qualquer "Carlinhos" (Brown) morrer de inveja... ("Qnd q vc vai lodear o new avatar, e pq ñ now?")

Mas como nem tudo é barranco nesse "Ribanceira Project", éis que surge luz no fim do tunel (e não é a do trem) para as "faltas" que democráticamente precarizam a estrutura criativa de "quase" todo mundo - e porque das aspas no quase, simples, só se pode ajudar quem procura ser ajudado, e tem gente que se esforça pra reproduzir mais do mesmo que é uma festa.!!! Estou me referindo aos bons ventos sonoros do Efeito Bogary, DVD do Cascadura que mostra bem como é que se faz, bem feito, um album de Rock nas terras do pós-axé. Recomendo mesmo sem ver (né não Braspress!!!).

Todos os sons da banda, que é "patinada" faz 18 anos, estão disponíveis para serem baixados na página oficial do grupo (http://www.bandacascadura.com/musica), e quem quiser ouvi-los ao vivo e em cores uma boa oportunidade será no lançamento do DVD em pleno Pelourinho no próximo domingo (20/12/2009). No mais é isso, muito som e como diria o Fábio (Cascadura): "..e viva a putaria!!!"

sábado, 4 de julho de 2009


Muito já se disse sobre Michael Jackson e sua súbita morte. Sem dúvida foi o fato mais noticiado na nossa história, com uma dimensão midiática impressionante, ganhando não só capas de revistas e jornais, manchetes de programas de rádios e TVs de todo planeta, mas também dando um nó na internet, derrubando sites e sendo assunto de quase todo lugar onde existisse informação disponível.

A alcunha de Rei do Pop não foi dada a toa. Michael foi o rei da música pop desde o momento que passou a ser um dos maiores vendedores de discos da história, nos anos 80. Mas foi além, sua contribuição foi enorme para a cultura pop, ajudando a defini-la como a conhecemos nos dias de hoje. Em especial, foi a música pop que ganhou outros contornos com o sucesso de Jackson. Com ele, a música negra foi alçada a um patamar jamais visto, com ele o vídeo-clipe ganhou um formato definitivo, com ele a dança ganhou um papel fundamental e transgressor no meio musical, e influenciando dançarinos e coreógrafos. Mas, mais do que isso, norteou qualquer artista que desejasse ser pop a partir dele.

Desde a morte de John Lennon, a música pop não sofria uma perda tão grandiosa. Nesse caso, um abalo de impacto mundial até mais profundo, já que Michael Jackson era sinônimo de sucesso em qualquer lugar e com um apelo midiático ainda maior, que aliava a importância artística a uma vida cheia de percalços. Todos tinham Michael como um artista de grande talento, e ao mesmo tempo, um homem cheio de problemas. Depois da morte, a venda de álbuns de Michael Jackson explodiu e já supera a de Elvis Presley e John Lennon, cujas mortes foram também repentinas. As vendas de discos do “rei do pop” multiplicaram-se por 80 e hoje lideram algumas das principais listas dos mais vendidos com discos antigos, singles e coletâneas. Nos Estados Unidos, seus discos, que vendiam cerca de 10 mil cópias por semana, passaram a vender, após sua morte, 415 mil cópias, 58% disso em formato digital, ocupando nove posições das parada Pop da Billboard. Simplesmente nove dos dez primeiros discos são dele. A maioria (58%) vendidos no formato digital. Nesse formato, Michael bateu outros recordes, sendo o primeiro artista a emplacar seis álbuns entre no Top 10, incluindo os quatro primeiros lugares. Bateu o recorde também como o artista com mais singles ao mesmo tempo nas paradas de música digital, 25 no total. O astro também pode fazer com que pela primeira vez um disco de catálogo supere um lançamento em vendagens. Tudo isso em uma semana. Na Amazon, ele vendeu em 24 horas o mesmo que havia vendido nos últimos onze anos. Ele também emplacou em listas de artistas com músicas mais tocadas em rádios, como na Last FM. Com Michael em declínio nos últimos anos, a necrofilia da arte deu às caras com uma força jamais vista. Um alcance impressionante.

Um artista ouvido por quase todo mundo, literalmente, das mais diferentes gerações, classes sociais, sexo, idade, nacionalidades. Quase todos o conheciam e sua música, algo cada vez mais impensável, para o bem e para o mal. Um artista desse porte não é mais possível dentro da forma que a indústria, o mercado e as tecnologias atuam hoje. A cultura de disseminação pulverizada com a internet, as tecnologias e as mais diversas opções oferecidas hoje não permite que se tenha um mundo baseado em sucessos tão retumbantes. A morte de Michael sinaliza o fim de uma era. Não é um marco estanque. Não que não tenhamos mais possibilidade de criar ídolos de alta qualidade, empatia e poder popular, a música pop continua com esse poder nas mãos. Apenas não existe mais uma forma de tornar isso tão grandioso quanto foi. Os tempos são outros e Michael Jackson foi o principal nome de uma era da cultura pop que já é passado.

A própria morte talvez tenha evitado que Michael Jackson entrasse num período ainda mais crítico na carreira, já que era possível que ele não suportasse fazer os prometidos 50 shows agendados com a qualidade que o notabilizava. É só uma hipótese. Talvez conseguisse voltar a brilhar. O prometido novo disco chegou a ter uma boa parte de material gravado que ainda não veio a tona. Poderia ser uma volta por cima do astro, ainda mais com a produção a cargo de Will.i.am. Agora, se sair realmente, deverá se tornar um álbum póstumo histórico. Não havia outro como ele e não haverá jamais. E nunca esse clichê foi tão correto. A morte de Michael é a morte de um tipo de ídolo que estava raro e nunca mais deverá se repetir.



Para chacoalhar o esqueleto à là Thriller:

Michael Jackson - Off the Wall (1979)
Michael Jackson - Thriller (1982)Michael Jackson - Thriller (1982)
Michael Jackson - Bad (1982)
Michael Jackson - Dangerous (1991)Michael Jackson - Dangerous (1991)
Michael Jackson - History: Past, Present and Future, Book 1, 1995 DISC ONE Part 1Michael Jackson - History: Past, Present and Future, Book 1, 1995 DISC ONE Part 2
Michael Jackson - History: DISC TWO Part 1Michael Jackson - History: DISC TWO Part 2
Michael Jackson - Blood On The Dance Floor - History In The Mix (1997)Michael Jackson - Blood On The Dance Floor - History In The Mix (1997)
Michael Jackson - Invincible (2001)Michael Jackson - Invincible (2001)
Michael Jackson - Capas: (1.8mb)

sábado, 11 de abril de 2009

"Every thing is in right place" ou "Fake Plastic Trees" we are...


Longo regresso, quase um desprender de mim mesmo, tardio, porém não sem volta.
E cá estamos novamente, aproveitando um pouco de tudo e buscando nas vagas virtuais o que de melhor se aproximou minha vista... E neste hiato, muitas coisas para (ou)vir, ver e esquecer...
Mundo cinza, liquido e polissêmico, afora dualismos e nostálgicos maniqueismos, o que resta da humanidade que valha a pena ser aproveitado caso uma nova "Arca" venha, por meio desta, nos poupar de uma hecatombe diluviana..?!? Pouco, muito pouco, partindo do pressuposto de que ninguém aqui é "inocente" até que se prove o contrário, somos todos um punhadinho de escrotos narscisistas, ao qual nos cabe somente olhar ao umbigo mais próximo, geralmente o nosso. Que dizer então da tão falada solidariedade católica apostólica romana de Recife. Livre arbítrio uma ova...
"- Aqui pra eles ó!!!"
Titeriteira realidade a nossa... como fantoches de nós mesmos nos jogamos no mundo, uns contra os outros e pela "não-nossa" conta e risco... Pois quem (como a moça da foto) é que de fato aceita levar a responsabilidade dos próprios atos pra casa de bico fechado... (a moça em questão, a ex-BBB9, bem que poderia ser exemplo de "mulher de peito", assumindo sua zorra e pronto!!! Caso não tivesse tirado proveito do acontecido para valorizar-se ainda mais frente as "revistas masculina" é claro... o rio corre sempre pro mar e tem sempre alguém atrás de limões pra aproveita-los em suaves limonadas...) é o "Meledictvs Jus Esperniandis", que segundo Hanna Arendt faz parte, é a nossa Condição Humana ora bolas.
E viva a APCM, seus Aze(re)dos projetos e afins, seguiremos "like a mule, kicking" os () paus das barracas toujours.


Para compensar a demora uma saraivada de distorções (tal qual nossa torta e distorcida realidade) e melódicos sons... Em qualidade HDTV, Radiohead no "Later with Jools Holland" - London, UK em 09.06.2001:

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Ao vivo, veja a soterópolis do alto...