
Um de meus filósofos prediletos é Friederich Wilhelm Nietzsche. Sim, aquele mesmo, aquele que morreu louco, doido varrido e que, dizem por aí, as idéias inspiraram o nazismo. Mas muitas idéias inspiraram o nazismo, enfim…
Gosto da filosofia de Nietzsche porque, como eu, ele sempre foi um inconformado com o status quo , um apaixonado pela vida em sua totalidade. Uma ironia, pois foi engolido por suas próprias idéias na ilusão de alcançar o tão almejado equilíbrio, mental, filosófico, espiritual e intelectual. Na ilusão de querer mudar o mundo.
Pouco antes de desenvolver problema mentais, ele escreveu a um amigo: “Outros precisam fazer melhor minha vida e meus pensamentos”…(E e aqui estamos nós, seus fiéis seguidores…) e em seguida, tudo aconteceu rapidamente, como num videoclipe acelerado: ele não conseguiu mais ter equilíbrio. O filósofo do “martelo” refugiou-se novamente no cristianismo que tanto combateu, transmutou-se mais uma vez com espuma na boca à condição de “leão” e gritou seu não! Num espaço vazio e sem eco.
Algo nele de repente queria tomar as rédeas do mundo. Ele escreveu bilhetes confusos a pessoas com as quais não convivia há tempos e os assinou como “o crucificado”.
Almejando alcançar a “insustentável leveza do ser”, o pai do “eterno retorno” tomou o peso para si, no esfolamento de seus invólucros revelou-se a ele subitamente um espírito do fardo.
Em Turim, Nietzsche viu pela janela de sua hospedaria, um cocheiro chicoteando sem misericórdia seu cavalo; ele abraçou a pobre criatura e então caiu no fogo escuro de seu próprio “abismo”.
Dez anos depois de perder a razão, passando a viver uma vida vegetativa sob os cuidados de sua mãe e irmã, Friedrich Nietzsche morreu em 25 de agosto de 1900. Mas sua filosofia contudo, sobrevive com portas e janelas, sempre, sempre abertas.
Eis algumas “vitaminas filosóficas” de Nietzsche que gostaria de compartilhar com vocês:
-Just do it (foi Nietzsche quem criou o slogan da Nike)
“Não confie num pensamento que vem quando você está sentado”. Estar em movimento para Nietzsche, não significa necessariamente viajar, caminhar, correr e andar, mas sobretudo PENSAR. A prática é tudo. Os pensamentos estão aí para ser colocados em prática. A filosofia pode e deve transformar-nos. Preste atenção se um pensamento apenas ensina e informa ou se vitaliza, propulsa e o leva a entrar em ação.
E aja.
-Não subestime os pequenos começos
O efeito da transformação é profundo, portanto, ela deve ser paulatina, através de um treinamento constante. Nietzsche defende as pequenas mudanças. Mega-projetos, novos e complexos são naturalmente belos, mas em geral não mudam de verdade nosso comportamento. O filosofar nietzschiano abre nossos olhos para o que está próximo e é habitual. Fique alerta e tome pequenas doses.
-É melhor ser alegre que ser triste…
O espírito do fardo está ligado ao dever. Em Gaia ciência o filósofo nos ensina a ter alegria de viver, leveza e exatidão. As grandes verdades não existem. Portanto, com disposição e alegria, nós podemos sair em busca das pequenas verdades da vida. Cometer erros e fracassar faz parte do trabalho. Persevere e não minta para si próprio.
-Não se reprima…
Nenhuma mudança acontece sem causar incômodo. Nietzsche nos desafia e nos exorta a permitir esse incômodo, pois somente inquietos e incomodados nos movemos rumo à mudança. Sua própria filosofia é um incômodo. Primeiro transforme-se, a compreensão do que aconteceu só vem depois…quando vem.
-O importante é o que importa
Nietzsche sugere que nos lembremos daqueles momentos nos quais de fato estivemos felizes ou amamos verdadeiramente para sempre voltarmos a experimentar esses sentimentos, genuínos, para não nos deixar enganar. Sendo assim, irradiamos suas remiscências sobre o que fazemos no presente e no futuro. É preciso se concentrar no que se quer, de verdade.

Para ouvir Nietzsche só algo incompreensivelmente bom quanto Portishead, à meia luz e com duas boas companheiras, uma garrafa de vodka e uma cama habitada de desejos libidinosos: http://www.mediafire.com/?4zdi4upwnyq

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